De CFO a CEO: a responsabilidade de sentar na cadeira número um
Por muitos anos, a transição de CFO para CEO foi vista como um movimento natural apenas para perfis altamente técnicos e orientados a números.
Mas o mundo mudou, e com ele, o significado de liderar.
Na 22ª edição do C-Talks by Talenses Group, João Marcio Souza (CEO da Talenses Executive e Co-Founder do Talenses Group) e Alexandre Benedetti (Diretor-Geral da Talenses & Co-Founder do Talenses Group) recebem Carlos Moura, CEO da Manserv, cuja trajetória em gigantes organizações como Raízen, BRF, Dasa e Itaú, revela uma perspectiva singular: a de um executivo que leva a racionalidade do CFO e a combina com um profundo senso de humanidade, propósito e responsabilidade. O resultado é uma conversa que transcende carreira, e toca no futuro da liderança no Brasil.
A nova exigência do topo: visão ampla e pensamento integrado
Logo no início da conversa, Carlos traz uma visão contundente sobre o novo contexto global: volatilidade geopolítica, tensões sociais, avanço tecnológico e ciclos econômicos curtos.
Esse ambiente, segundo ele, exige CEOs cada vez mais amplos, com repertório interdisciplinar e capacidade de integrar múltiplas variáveis ao mesmo tempo.
Não se trata mais de administrar operações, mas de interpretar um cenário em transformação constante, mantendo clareza estratégica, responsabilidade social e visão de longo prazo.
Da racionalidade financeira ao comando estratégico
A trajetória de Carlos mostra que a transição de CFO para CEO não é apenas uma mudança de cadeira.
É uma mudança de mentalidade.
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Como CFO, a lente dominante costuma ser risco, retorno, governança, compliance e eficiência operacional;
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Como CEO, a lente se expande para cultura, pessoas, estratégia, clientes, reputação e legado.
Ele descreve os dois movimentos que mais transformaram sua carreira:
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Ampliar o olhar para muito além dos números, entendendo que decisões são sobre pessoas e impacto;
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Interiorizar coragem, buscando o que é certo mesmo quando não é popular.
E reforça um ponto fundamental para executivos e executivas de finanças que desejam ir além: "Não basta dominar o número, é preciso dominar o negócio."
Cultura, humanização e liderança pelo exemplo
Grande parte da conversa gira em torno do conceito de liderança humanizada, uma marca profunda de sua identidade como CEO.
Carlos narra episódios em que decidiu acolher colaboradores em momentos delicados, como uma profissional que pediu demissão para cuidar das filhas, e que ele reteve oferecendo licença remunerada.
Ou o hábito de mandar mensagens pessoais a funcionários que sofrem acidentes, mostrando que “era o Carlos, não o presidente” falando com eles. Essa abordagem revela um princípio central da sua liderança: sentir com o cérebro e pensar com o coração.
Manserv: escala, governança e propósito em ação
Ele destaca três pilares que sustentam o futuro da empresa:
1. Governança sólida: Big Four, conselhos robustos, compliance estruturado e processos éticos sustentáveis.
2. Propósito claro: Operar processos produtivos para seus clientes e estender a vida útil dos ativos que fazem o país funcionar.
3. Gente no centro: Profissionais que saem da empresa “melhores do que chegaram”. Para ele, isso é responsabilidade social (tão relevante quanto resultado financeiro).
Legado: integridade, coerência e impacto
Conheça mais sobre a Talenses Executive
1. Obsessão pelo resultado: não aceitar o “não” como destino.
2. Capacidade de ponderar: deixar uma noite passar antes de decidir. Transformar dor em sabedoria.
3. Coragem: tomar decisões difíceis, mesmo que isso custe reputação momentânea.
4. Humanidade: pensar com o coração. Valorizar as pessoas.
5. Modelo mental do CEO: criar visões compartilhadas que engajem equipes inteiras.
Conselhos para futuros CEOs
Entregamos hoje o futuro da liderança.




